• Chef Lucas do Amaral

O sabor afetivo: uma nova leitura sobre a arte de cozinhar


"Vó Cida cozinhando" - Obra de Tulio Dias

Quando me perguntam qual meu chef favorito, esperam um grande chef francês, mas minha resposta é bem diferente. Para começar, sei que os grandes nomes são ocupados por homens, mas minhas 3 principais referências são mulheres: minha vó em primeiro lugar, seguidas por Ana Maria Braga e Rita Lobo. Minha vó é a base de tudo que aprendi do que é gostoso e saudável. Ana Maria Braga por sempre apoiar nossos cozinheiros de todas as partes do Brasil, mostrando as receitas que realmente são feitas no cotidiano de nossas casas (luto pra que isso não se perca), com o jeito atrapalhado dela, prova que nem só com técnicas " le cordon bleu " se fazem comidas boas, e que qualquer um pode cozinhar. Rita Lobo sempre dando valor aos nossos ingredientes, fazendo com que olhemos com outros olhos nossos produtos. Como ela mesma diz quando alguém a pergunta: O que eu devo comer? - Coma tudo que sua vó fazia.

Visitando meu pai na semana passada, por apenas dois dias, tive uma experiência bem clara do que é isso. Estávamos nos preparando para tomar um simples café, diferente do que fazemos comumente hoje, de entrarmos numa cafeteria, tomarmos café com pão de queijo e ir embora. Ele mora um pouco mais afastado do centro da cidade, o que muitas vezes ajuda a evitarmos o grande mal: mercados. Minha irmã de 8 anos me impressionou ao pegar a bicicleta e ir na vizinha, que morava há algumas quadras, para comprar ovo de galinha de uma senhora. Meu pai chegou com pamonhas, pão caseiro, rosca e mel de um apicultor que mora perto. Na mesa tinha suco de acerola, que é apanhado no próprio terreno. Não cheguei nem a beber o café, de tão bom que estava o suco. O cheiro do leite de vaca fervendo, nossa, há quantos anos não sentia! Sem falar nas frutas que são todas do próprio terreno. Isso que digo sobre fugir dos industrializados, essa sim é uma alimentação saudável.

Só que morando no centro de uma cidade fica difícil seguir um estilo de vida assim, quem tem tempo de preparar um pão caseiro ou encontrar um leite direto com o fazendeiro? Ter uma broa de milho fresquinha? Complicado né? Não, muitas vezes estão ao nosso redor e não nos damos conta, basta olharmos melhor. Todos aqui de Balneário Camboriú conhecem a tia da cocada, mas quem já comprou uma? O leite no mercado fica onde? Nas prateleiras? Não, na parte dos resfriados tem o leite de saquinho que não sofre o processo UHT. Parou pra analisar os ovos, ou simplesmente pega o mais barato ou o que estiver na sua frente? Lembre-se da cor da gema do ovo caipira. Com o que você tempera seu feijão, arroz, um peixe...? Sazon, Maggi...? Não esqueça das hortaliças, gengibre, salsinha, manjericão, tomilho, são naturais e o sabor é sem comparação. Quando tem alguém na rua vendendo pães, você pede para ver, pergunta o preço? Quando faz aniversário de alguma criança, já pensou em comprar os salgadinhos que a vizinha faz? Ou o que vem na cabeça são os que você viu na padaria ou no supermercado? Fez feira hoje, ou comprou no mercado mesmo? No mercado tem a maça da Mônica, a criança gosta porque é bonitinha (cheia de agrotóxicos para conservar). Já pensou em ir na feira, nem que seja pra passear (eu faço isso, meu shopping), já parou pra apreciar como uma fruta pode ser bonita? Fuja do cotidiano que vive, lembre-se das frutas que gostava quando criança e hoje já estão praticamente esquecidas, há quanto tempo não come uma carambola, tangerina, uma pêra, ou qualquer outra fruta que lembre? Experimente uma fruta que não conheça, olhe aquele maracujá lindo e diga isso a ele, já que não pode ter sua própria horta. Se você tem, sabe o quão é bom colher o fruto do que plantou! A frase tão dita e que muitas vezes nem a interpretamos ao certo.

Coma tudo que quiser! Lembrando sempre de evitar os industrializados. Não deixe faltar em sua casa as frutas, o mel de abelhas puro, bicarbonato de sódio, açúcar mascavo, melado, geleia de frutas, banha de porco (que sua vó usava pra tudo), da nata, da manteiga e tudo que nossa rica agricultura pode oferecer. Lembre-se sempre que nem tudo é mercado, vá a feira, mercado público, peixaria, dê valor aos vendedores ambulantes (que além de estarem oferecendo um produto de qualidade, estão tentando ganhar a vida). Temos alimentos ótimos ao nosso lado, basta fugirmos um pouquinho do cotidiano para ver o item ao lado.

Posso não ser o chef que vai te dar as comidas mais elaboradas ou algo que seja o mais lindo dos pratos, mas de uma coisa eu garanto, não serei o chef que vai te dar veneno (comida industrial), sim o chef que vai procurar o alimento melhor pra sua saúde, seja numa feira, mercado público, um pescador, procurando sempre aquele que usa suas mãos pra levar o alimento a sua mesa.

S O B R E O C O N V I D A D O

Depois de passar pelas mais variadas experiências, Lucas do Amaral descobriu que sua motivação está exatamente nisto: na pluralidade que gastronomia possibilita. Chef de Cozinha formado pela Univille (Joinville) e pós-graduado pela Mausi Sebess (Buenos Aires), sua proposta é oferecer um hall de serviços personalizados como PERSONAL CHEF que não só contemple sua necessidade e desejo, mas também te surpreenda.

www.lucasdoamaral.com.br | 47 99734-4074 | @cheflucasdoamaral

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